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PORQUE PREFIRO |
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É,
pois, conveniente, para início desse artigo, lembrar que ilustrar vem do
latim illustrare, tornar
ilustre, glorificar. Ao mesmo
tempo, significa esclarecer, elucidar e instruir. Desse verbo provém o termo illustratione,
ilustração. Esse breve
recurso à etimologia — que pode parecer pedantismo para alguns —
faz-se necessário, na medida em que pretendo demonstrar que o verdadeiro
sentido de uma ilustração é capaz de superar com sucesso a identificação
sumária e corriqueira com uma gravura ou desenho. Longe
de representar um papel secundário frente a um texto, uma ilustração
tem a sublime (e ingrata!) missão de servir-nos de convite ao
esclarecimento e à reflexão.
Nesse sentido, o verbo illustrare
é absolutamente reflexivo, pois aponta para o ato de ilustrar e
,simultaneamente, de ilustrar-se. Outra
referência saborosa dessa atividade é o sentido a ela atribuída pela
religião. Em sua significação
divina, ilustração é o mesmo que inspiração.
A arte do ilustrador consiste, para os religiosos, num estímulo ao
pensamento e à própria atividade criadora, cuja fonte encontra-se na
inspiração proporcionada pelo Divino.
Na
Filosofia, por outro lado, a Ilustração representa um dos mais
importantes movimentos e períodos do pensamento ocidental moderno: o
Iluminismo. Os filósofos
desse período (séc. XVIII) defendiam que a razão humana deveria se
libertar de todos os preconceitos e superstições e seguir em direção a
um modus vivendi condizente com a modernidade.
Para pensadores como Immanuel Kant: “ o Iluminismo é a saída do
homem de sua menoridade de que ele próprio é culpado” (A 481).
Segundo ele, somos culpados por nos deixar tutelar por professores,
jornalistas e comentadores que — intencionalmente ou não — acabam por
privar-nos do prazer de interpretar, por nós mesmos, o mundo e os
acontecimentos a nossa volta. E,
fazer isso, implicaria em abdicar da nossa liberdade: é, portanto, um
caso de vida ou morte. Quando
vemos uma boa ilustração, devemos encará-la como um testemunho em
defesa da liberdade e da autonomia do pensamento, pois esta ultrapassa e
muito a visão particular do artista responsável pela sua criação.
Representa, antes, como já disse, um convite à instrução, à
iluminação e — por que não? — à filosofia. Dito
isso, não será difícil justificar o porquê de minha escolha por essa
arte em meu site (www.filonet.pro.br).
Nos quatro cantos desse enigmático e provocante veículo digital,
é possível encontrar as ilustrações de Tiburcio e de outros artistas
nacionais. Além do óbvio
aspecto intimista proporcionado, as ilustrações integram-se
perfeitamente à fluidez necessária a uma página da Web,
tornando-a leve e atrativa. Como
todos devem saber, estimular alunos a pensar de modo autônomo em uma
sociedade cujo modelo educacional ainda encontra-se alicerçado na repetição
a-crítica das idéias de poucos
privilegiados não é uma tarefa nada fácil.
A melhor saída, creio eu, consiste em cativar os nossos jovens
primeiramente pelo seu sentido mais desenvolvido: a visão.
Com seus olhos “presos” à tela, instigá-los a refletir
transforma-se em um prazeroso desafio. E, nesse sentido, não seria piegas dizer que uma ilustração
vale mais do que mil palavras! PS:
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Tiburcio por esta
oportunidade. Aproveito, também,
a ocasião para parabenizá-lo pelo excelente trabalho e dedicação
prestados através de sua divertida arte. Valeu! Emmanuel Fraga é formado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em Informática Educativa pela Universidade Castelo Branco (UCB-RJ). Ministra aulas de Filosofia no Ensino médio da Rede Pública, além de fazer parte do quadro de professores do Curso de Pós-graduação em Informática na Educação da UCB-RJ. Nas horas vagas, gosta de ler uma boa história em quadrinhos de super-heróis. |
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